30 de junho de 2010

Frágil

Nunca tinha visto um mundo quebrar com a facilidade do meu. Comparei-me à fragilidade para fugir, e acabei por fugir até ela. Vi o Monstro fraquejar; ao menos agora sei que ele sente.
E eu sinto que não sinto nada. Há dias em que espero que as minha lágrimas deixem de ser pedra e que escorram na minha face, lentamente, para eu saber que sei sentir. Mas não caem. O buraco que me foi aberto no peito impede-me de fraquejar, e eu sinto que há muito que deixei a vida; ao menos agora sei que eu e Ele temos algo em comum.
E ainda assim, oiço-o respirar. Ofegante, perverso, à espera de um deslize meu ou de outrem. É dono do escuro, e tem sido dono de mim.
Sinto falta de humanidade. Sinto a falta de confiar. Sinto a tua falta, Monstro. Não sei até que ponto és um pesadelo meu, ou um anexo de mim que sempre tentei afastar. Mas ao menos és frágil, como eu.

14 de junho de 2010

Ultimamente

Tenho pensado tão pouco em amor, ultimamente... Tenho sido o meu maior medo, com os meus devaneios, com a minha liberdade. Ultimamente, tenho sido o Monstro que rasga todos os prismas de possibilidades benevolentes.
E eu tenho pensado tão pouco em amor... Não sei se é a falta dele, se a sua demasia. Ultimamente, tem sido uma presença tão apática que a minha mente tem vindo a carcomer o meu coração. Ultimamente, tenho sido o primeiro a erguer a chama que move o mundo e que a apaga.
E tenho tido tanto em que pensar, ultimamente... Tenho uma lágrima por derramar e todo o paradigma da imperfeição à escolha para derramá-la. Tenho uma mão cheia de sorrisos e um poço para os largar. Ultimamente, tenho sido o Monstro.
E vocês, o que têm sido ultimamente? O que é que vos faz o que vocês são agora? É que eu... tenho pensado tão pouco em amor, ultimamente.