Nunca tinha visto um mundo quebrar com a facilidade do meu. Comparei-me à fragilidade para fugir, e acabei por fugir até ela. Vi o Monstro fraquejar; ao menos agora sei que ele sente.
E eu sinto que não sinto nada. Há dias em que espero que as minha lágrimas deixem de ser pedra e que escorram na minha face, lentamente, para eu saber que sei sentir. Mas não caem. O buraco que me foi aberto no peito impede-me de fraquejar, e eu sinto que há muito que deixei a vida; ao menos agora sei que eu e Ele temos algo em comum.
E ainda assim, oiço-o respirar. Ofegante, perverso, à espera de um deslize meu ou de outrem. É dono do escuro, e tem sido dono de mim.
Sinto falta de humanidade. Sinto a falta de confiar. Sinto a tua falta, Monstro. Não sei até que ponto és um pesadelo meu, ou um anexo de mim que sempre tentei afastar. Mas ao menos és frágil, como eu.
30 de junho de 2010
14 de junho de 2010
Ultimamente
Tenho pensado tão pouco em amor, ultimamente... Tenho sido o meu maior medo, com os meus devaneios, com a minha liberdade. Ultimamente, tenho sido o Monstro que rasga todos os prismas de possibilidades benevolentes.
E eu tenho pensado tão pouco em amor... Não sei se é a falta dele, se a sua demasia. Ultimamente, tem sido uma presença tão apática que a minha mente tem vindo a carcomer o meu coração. Ultimamente, tenho sido o primeiro a erguer a chama que move o mundo e que a apaga.
E tenho tido tanto em que pensar, ultimamente... Tenho uma lágrima por derramar e todo o paradigma da imperfeição à escolha para derramá-la. Tenho uma mão cheia de sorrisos e um poço para os largar. Ultimamente, tenho sido o Monstro.
E vocês, o que têm sido ultimamente? O que é que vos faz o que vocês são agora? É que eu... tenho pensado tão pouco em amor, ultimamente.
E eu tenho pensado tão pouco em amor... Não sei se é a falta dele, se a sua demasia. Ultimamente, tem sido uma presença tão apática que a minha mente tem vindo a carcomer o meu coração. Ultimamente, tenho sido o primeiro a erguer a chama que move o mundo e que a apaga.
E tenho tido tanto em que pensar, ultimamente... Tenho uma lágrima por derramar e todo o paradigma da imperfeição à escolha para derramá-la. Tenho uma mão cheia de sorrisos e um poço para os largar. Ultimamente, tenho sido o Monstro.
E vocês, o que têm sido ultimamente? O que é que vos faz o que vocês são agora? É que eu... tenho pensado tão pouco em amor, ultimamente.
24 de maio de 2010
Reflexão Momentânea IX
Senhoras e Senhores, apresento-vos o Monstro.
Ele têm mais medo de vocês do que vocês têm dele...
Ele têm mais medo de vocês do que vocês têm dele...
11 de fevereiro de 2010
Reflexão Momentânea VIII
Não sou capaz. Deixo em ti, Destino, Deus pagão das minhas descrenças, as páginas do futuro. Leva a incerteza como o teu mote e salva-me de mim próprio! Salva-me do dormente que posso vir a ser; salva-me do dormente que me estou a tornar.
Calculei, sucessivamente, inúmeras sucessões apenas para encontrar o meu limite.
Calculei, sucessivamente, inúmeras sucessões apenas para encontrar o meu limite.
6 de fevereiro de 2010
Reflexão Momentânea VII
Ó, Glória! Jaz a semana nas catacumbas do passado! E nós, sóbrios, entramos numa ravessa ausente de realidade! As portas trancam e o mundo é nosso!
Ó, Sede! Esta dança frenética de tabaco e álcool sacia o nosso desejo de liberdade! Enquanto falamos, rimos e choramos, partilhamos ilustres sentimentos e os vossos nomes e as vossas caras são santificadas no meu coração! Numa deambulação reflexiva, a Glória derruba a sobriedade e louvamos a mesa que, inconscientemente, segura as nossas almas pelos nossos corpos disfuncionais!
Ó, Cansaço. Cambaleamos, interminavelmente, até casa. Deito a minha alma compensada na cama. Desglorifico-me com um suspiro - deixei a Sede com vocês. Fecho os olhos e lembro-me que faltam, de novo, mais cinco dias dormentes para voltar a ver-vos. Sorrio - amo-vos incontestavelmente.
Ó, Sede! Esta dança frenética de tabaco e álcool sacia o nosso desejo de liberdade! Enquanto falamos, rimos e choramos, partilhamos ilustres sentimentos e os vossos nomes e as vossas caras são santificadas no meu coração! Numa deambulação reflexiva, a Glória derruba a sobriedade e louvamos a mesa que, inconscientemente, segura as nossas almas pelos nossos corpos disfuncionais!
Ó, Cansaço. Cambaleamos, interminavelmente, até casa. Deito a minha alma compensada na cama. Desglorifico-me com um suspiro - deixei a Sede com vocês. Fecho os olhos e lembro-me que faltam, de novo, mais cinco dias dormentes para voltar a ver-vos. Sorrio - amo-vos incontestavelmente.
28 de janeiro de 2010
A Majestade das Cores
E se eu te disser que as manhãs deixaram de ser uma agradável surpresa? Que o cheiro e o toque do teu cabelo tornaram-se chatos e repetitivos? Que o teu abraçar deixou de ser uma inspiração e, agora, é nada mais, nada menos do que um corpo frio na ausência do sono? Deixaste de ser um complemento no meu vazio e passaste a remendo numa alma rasgada. A ferrugem dos anéis que partilhamos espelha o que já não és para mim. A majestade das cores têm-se vindo a apagar com os fogos que ateamos; a majestade das cores têm-se fundido com o negrume do meu coração. A majestade das cores já não é. Ainda vês beleza neste preto e branco? Achas que há majestade na monotonia do cinzento?
Não há lágrima, nem olhar, nem palavra, nem beijo, nem toque que rasgue o escuro que me completa. E se eu te disser que de tudo passaste a nada? Que cada lágrima pesa mais que o mundo, que o brilho dos teus olhos esfumou-se na dor, que cada palavra cava mais um pouco da minha cova, que cada beijo é seco e cínico e que cada toque tornou-se inexistente nesta cegueira?
Se eu te disser que já não há majestade nas cores do nosso pequeno mundo libertas-me, ou terás medo de voltar a ver?
Não há lágrima, nem olhar, nem palavra, nem beijo, nem toque que rasgue o escuro que me completa. E se eu te disser que de tudo passaste a nada? Que cada lágrima pesa mais que o mundo, que o brilho dos teus olhos esfumou-se na dor, que cada palavra cava mais um pouco da minha cova, que cada beijo é seco e cínico e que cada toque tornou-se inexistente nesta cegueira?
Se eu te disser que já não há majestade nas cores do nosso pequeno mundo libertas-me, ou terás medo de voltar a ver?
12 de janeiro de 2010
Reflexão Momentânea VI
Não te quero ver morrer pela Morte; és mais forte que ela. Não te quero cega pela cegueira; sei que consegues ver a base de todas estas teses, e só não ouves porque a dor não deixa. Não te quero ver sofrer por quem já não te faz feliz; acredito que o passado vive apenas em memória.
Não te quero ver perdida a sonhar apenas porque sonhas com a perdição; afinal, ainda significas muito mais para nós do que para ele.
Não te quero ver perdida a sonhar apenas porque sonhas com a perdição; afinal, ainda significas muito mais para nós do que para ele.
7 de janeiro de 2010
Já Não Sei Quem Sou
Já não sei quem sou. Não sei se enlouqueci, ou se apenas me ceguei para atenuar a dor. Sou um menino, agarrado ao passado, mas perdido nos braços do futuro. Estou à deriva neste noante de memórias e imaginação, que se abraçam num palpitar de emoções. Sinto-me a nadar, desfeito, num limbo, os meus membros à minha procura, e eu à tua.
Já não sei quem sou. Lembro-me de poder definir cores, caracterizar imagens. Lembro-me de sentir. Lembro-me de ti, e de te ver, despida de amor, vestida de orgulho. Lembro-me de te ver partir e lembro-me de me esquecer.
Não sei se enlouqueci, ou se apenas me ceguei para atenuar a dor. Não sei se existi. O que pensava de mim esvoaçou contigo. Estou cego num espaço sem tempo, à procura do coração que levaste. Oiço batimentos, sucintos, lentos; sei que ainda vivo. Os meus pés e as minhas mãos estão presos às tuas artérias. E esta corrente sanguínea afasta-me do que sinto. Aos poucos e poucos, vejo que as minhas lágrimas são nada, na balança do sangue que derramaste por mim. Mereço estar cego, mereço não te ter. Mereço não saber se enlouqueci por alguém que estraguei.
Sou um menino, agarrado ao passado, mas perdido nos braços do futuro. Não me sais da cabeça. Levaste quem sou contigo. Porque sorria, porque deambulava, porque viva intensamente, no limiar do amor e do ódio. Quero-me de volta; traz-me. Ajuda-me a encontrar-te, que não te esqueci.
Sou um menino, agarrado ao passado, mas perdido nos braços do futuro. Não me sais da cabeça. Levaste quem sou contigo. Porque sorria, porque deambulava, porque viva intensamente, no limiar do amor e do ódio. Quero-me de volta; traz-me. Ajuda-me a encontrar-te, que não te esqueci.
Ou… será que sim? Já não sei quem sou. Não sei se enlouqueci.
5 de janeiro de 2010
Reflexão Momentânea V
Inalaste-me... e expiraste os meus devaneios dormentes. Sinto o Sol abaixo das nuvens que desenham Janeiro; não há frio. Há chuva que seca a saudade da dor. Cicatrizaste-me, inspirando-me, e expiraste-me, limpo do meu sangue.
Já não me afundo no poço que construí. Já não sou o arquitecto da câmara escura que me rodeava. Há luz que arde nos pensamentos cancerígenas que tinha; há fogo que ilumina a cova que me protegia. Deste-me razões contrárias aos meus cantos, e agora canto de outras formas. Inalaste-me e expiraste o negrume que me cobria.
Já te oiço, Mundo. Oiço-te, porque acho que também já me ouves. Levaste um pedaço da minha alma, um pedaço podre e dormente. Guarda-o bem.
Já não me afundo no poço que construí. Já não sou o arquitecto da câmara escura que me rodeava. Há luz que arde nos pensamentos cancerígenas que tinha; há fogo que ilumina a cova que me protegia. Deste-me razões contrárias aos meus cantos, e agora canto de outras formas. Inalaste-me e expiraste o negrume que me cobria.
Já te oiço, Mundo. Oiço-te, porque acho que também já me ouves. Levaste um pedaço da minha alma, um pedaço podre e dormente. Guarda-o bem.
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