22 de dezembro de 2009

Suplementive THC of Happiness

You could scramble the pieces that are left of me;
Search beyond this supplementive THC -
My own lucky glee...

You could cross the line and gently whisper what you find;
If there's something left of my little injured mind
Please be kind...

I usually don't run away,
But usually there's another way.

You could blow away the smoke and tell me if I'm there;
Pull me up and slowly give me some air -
To face my despair...

You could dig beyond my smile and my thick red eyes:
Circle all the madness that left me to die;
And awake my cries...

I usually don't run away,
But usually there's another way.

This supplementive THC of happiness...
This supermassive THC of happiness...
This sober passive THC of happiness...
This over active THC of happiness...

I usually don't run away,
But usually there's another way.

20 de dezembro de 2009

Reflexão Momentânea IV

Desenhei a linha que espelha os hemisférios do Universo apenas para encontrar o protótipo de injustiça. A sistemática da acção-reacção global trabalha numa teoria de inversos aplicada. Afinal, um beijo é directamente proporcional a um atropelamento; o eco do choro de um recém-nascido ressalta nas paredes dos ouvidos de um genocídio. Somos injectados com falsos karmas para atenuar esta injustiça, e ninguém sabe qual a dose letal.

Desenhei a linha apenas para concluir que a dose letal de qualquer homem é a vida.

7 de dezembro de 2009

Reflexão Momentânea III

Sou um ser de desprezo. Sou a sobriedade descontrolada da despreocupação humana. Sou a imunidade sentimental regida nos desejos dos sofridos. Sou o constante suspiro de bem-estar após a tempestade. Sou a lucidez temperamental que o mundo procura.
Então, porque é que me preocupo tanto? Sou a antítese fulcral da teoria da certeza. Sou a mentira temperamental que o mundo evita.

4 de dezembro de 2009

E Gritaste Por Mim

Disseram que te ouviram gritar por mim. Foi ainda noutra das noites enevoadas de Outubro, e as gotas de água penetravam a terra como gumes catapultados dos céus. A estrada reluzia sob o fumo matinal, umas horas depois, e as luzes dos poucos carros na rua eram ofuscantemente borradas. Ainda estava eu, no terraço da tua casa, a contemplar o lençol cinzento que cobria a cidade, dentada de prédios. Algumas almas deambulavam pelo passeio, e outras exaltavam-se, correndo freneticamente, ignorantes à leveza que o mundo agora levava. Como eu. Até que o telemóvel tocou.
Disseram que ouviram um grande estalo. Metal e vidro dançavam abraçados, rasgando o ar num leve atormentar, e um grande carro cuspia-te, para completares a coreografia. Devia ser o carro da tua irmã; pelo menos era quando parámos de nos ver. Aterraste no medo de te afogares, naquela água sangrenta de cidade, preta, como os meus olhos te viam agora. E gritaste por mim, ouviram as pessoas. Suponho que ainda sabias o meu nome.
E eu esperei, naquele terraço. Vi a metamorfose da noite, uma bola vermelha erguendo-se majestosamente por detrás da cidade e da névoa. E estava frio. As nuvens dispersavam à minha volta e em meu redor, como se me consolassem do que ainda não sabia. Vi a água escorrer pelos tejadilhos, como uma fonte num dia de Verão, enquanto pensei que ainda iria ouvir esse velho motor. O meu, mal pegava, das semanas passadas sem ti. E quando a manhã chegou, o vibrar alarmante e o tocar da morte agarravam-me destemidamente. E disseram que chamaste por mim, que berraste por mim. E só ai notei que o mundo estava mais leve.
Será que enquanto te afogavas, pensaste que verias a minha mão esticada, à brilhante e calma superfície, para te puxar para cima?

23 de novembro de 2009

Reflexão Momentânea II

Hoje acordei e não pertencia ao mundo. Há certos dias em que acordo assim, apático, mas selvagem, e desligo-me da realidade. Não perco a noção do tempo, nem deixo de ouvir o som cruel do caos; está é tudo mais ao fundo, correndo ao meu ritmo, num mundo que nada tem de meu. Acham-me menos simpático nesses dias, menos preocupado; mas até nesses dias dói, só sinto menos.

Ainda não atingi a utopia que é um coração de pedra; não me magoava ao ter esta alma dormente. Sangraria menos quando me dizem, nesses dias onde parece que nunca chego a acordar, que não pareço ser eu próprio. O que me irrita é que poucos sabem quem sou, por detrás do humor, dos sorrisos e da boa disposição. Nem eu sei quem sou.

Sei que gosto de cantar. Sei que vejo na música toda a harmonia que falta ao mundo; o espectáculo sonoro das cordas, os seus contrastes subtis, o batuque incansável dos bombos e os pratos a afagarem os sopros chorados da melodia principal. Sei que se algum dia me apaixonei, foi pela fúria, pela mágoa, pela calma e pela beleza da arte mais perceptível na raiz sentimental do Homem. Mas não tenho a certeza de como a música é ouvida por cada alma nesta epopeia inconclusiva. Não é que eu a oiça melhor, mas definitivamente oiço-a mais alto, visto que, nesses dias em que “não sou eu”, as pessoas parecem sussurrar.

Sinceramente, também não faço por ouvi-las. Dou por mim a cantar, a fixar o nada, e elas também não me ouvem a mim.

19 de novembro de 2009

Reflexão Momentânea

Ontem, celebraram-se dezassete velas ardentes, entregando a um mundo caótico uma pequena sobriedade. As chamas espalhavam-se em sorrisos e abraços, em palavras suspiradas por pequenas frases de amor. Trocavam-se caricias, sucintamente, e rugiam-se afecções nunca antes expressas, não fosse a desconexão da alma a maior virtude que temos. Ontem, a vergonha de amar só se espelhou em reflexos disformes do coração, fechados nos nossos pequenos recintos, constantemente desocupados. Era belo. Fixei na minha mente como tudo ardia embriagadamente, tive a sorte de contemplar o fogo que faz o mundo girar.
Hoje, o meu pequeno mundo caótico voltou ao normal. Estou ansioso por fazer dezoito anos.