E se eu te disser que as manhãs deixaram de ser uma agradável surpresa? Que o cheiro e o toque do teu cabelo tornaram-se chatos e repetitivos? Que o teu abraçar deixou de ser uma inspiração e, agora, é nada mais, nada menos do que um corpo frio na ausência do sono? Deixaste de ser um complemento no meu vazio e passaste a remendo numa alma rasgada. A ferrugem dos anéis que partilhamos espelha o que já não és para mim. A majestade das cores têm-se vindo a apagar com os fogos que ateamos; a majestade das cores têm-se fundido com o negrume do meu coração. A majestade das cores já não é. Ainda vês beleza neste preto e branco? Achas que há majestade na monotonia do cinzento?
Não há lágrima, nem olhar, nem palavra, nem beijo, nem toque que rasgue o escuro que me completa. E se eu te disser que de tudo passaste a nada? Que cada lágrima pesa mais que o mundo, que o brilho dos teus olhos esfumou-se na dor, que cada palavra cava mais um pouco da minha cova, que cada beijo é seco e cínico e que cada toque tornou-se inexistente nesta cegueira?
Se eu te disser que já não há majestade nas cores do nosso pequeno mundo libertas-me, ou terás medo de voltar a ver?
28 de janeiro de 2010
12 de janeiro de 2010
Reflexão Momentânea VI
Não te quero ver morrer pela Morte; és mais forte que ela. Não te quero cega pela cegueira; sei que consegues ver a base de todas estas teses, e só não ouves porque a dor não deixa. Não te quero ver sofrer por quem já não te faz feliz; acredito que o passado vive apenas em memória.
Não te quero ver perdida a sonhar apenas porque sonhas com a perdição; afinal, ainda significas muito mais para nós do que para ele.
Não te quero ver perdida a sonhar apenas porque sonhas com a perdição; afinal, ainda significas muito mais para nós do que para ele.
7 de janeiro de 2010
Já Não Sei Quem Sou
Já não sei quem sou. Não sei se enlouqueci, ou se apenas me ceguei para atenuar a dor. Sou um menino, agarrado ao passado, mas perdido nos braços do futuro. Estou à deriva neste noante de memórias e imaginação, que se abraçam num palpitar de emoções. Sinto-me a nadar, desfeito, num limbo, os meus membros à minha procura, e eu à tua.
Já não sei quem sou. Lembro-me de poder definir cores, caracterizar imagens. Lembro-me de sentir. Lembro-me de ti, e de te ver, despida de amor, vestida de orgulho. Lembro-me de te ver partir e lembro-me de me esquecer.
Não sei se enlouqueci, ou se apenas me ceguei para atenuar a dor. Não sei se existi. O que pensava de mim esvoaçou contigo. Estou cego num espaço sem tempo, à procura do coração que levaste. Oiço batimentos, sucintos, lentos; sei que ainda vivo. Os meus pés e as minhas mãos estão presos às tuas artérias. E esta corrente sanguínea afasta-me do que sinto. Aos poucos e poucos, vejo que as minhas lágrimas são nada, na balança do sangue que derramaste por mim. Mereço estar cego, mereço não te ter. Mereço não saber se enlouqueci por alguém que estraguei.
Sou um menino, agarrado ao passado, mas perdido nos braços do futuro. Não me sais da cabeça. Levaste quem sou contigo. Porque sorria, porque deambulava, porque viva intensamente, no limiar do amor e do ódio. Quero-me de volta; traz-me. Ajuda-me a encontrar-te, que não te esqueci.
Sou um menino, agarrado ao passado, mas perdido nos braços do futuro. Não me sais da cabeça. Levaste quem sou contigo. Porque sorria, porque deambulava, porque viva intensamente, no limiar do amor e do ódio. Quero-me de volta; traz-me. Ajuda-me a encontrar-te, que não te esqueci.
Ou… será que sim? Já não sei quem sou. Não sei se enlouqueci.
5 de janeiro de 2010
Reflexão Momentânea V
Inalaste-me... e expiraste os meus devaneios dormentes. Sinto o Sol abaixo das nuvens que desenham Janeiro; não há frio. Há chuva que seca a saudade da dor. Cicatrizaste-me, inspirando-me, e expiraste-me, limpo do meu sangue.
Já não me afundo no poço que construí. Já não sou o arquitecto da câmara escura que me rodeava. Há luz que arde nos pensamentos cancerígenas que tinha; há fogo que ilumina a cova que me protegia. Deste-me razões contrárias aos meus cantos, e agora canto de outras formas. Inalaste-me e expiraste o negrume que me cobria.
Já te oiço, Mundo. Oiço-te, porque acho que também já me ouves. Levaste um pedaço da minha alma, um pedaço podre e dormente. Guarda-o bem.
Já não me afundo no poço que construí. Já não sou o arquitecto da câmara escura que me rodeava. Há luz que arde nos pensamentos cancerígenas que tinha; há fogo que ilumina a cova que me protegia. Deste-me razões contrárias aos meus cantos, e agora canto de outras formas. Inalaste-me e expiraste o negrume que me cobria.
Já te oiço, Mundo. Oiço-te, porque acho que também já me ouves. Levaste um pedaço da minha alma, um pedaço podre e dormente. Guarda-o bem.
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