Nunca tinha visto um mundo quebrar com a facilidade do meu. Comparei-me à fragilidade para fugir, e acabei por fugir até ela. Vi o Monstro fraquejar; ao menos agora sei que ele sente.
E eu sinto que não sinto nada. Há dias em que espero que as minha lágrimas deixem de ser pedra e que escorram na minha face, lentamente, para eu saber que sei sentir. Mas não caem. O buraco que me foi aberto no peito impede-me de fraquejar, e eu sinto que há muito que deixei a vida; ao menos agora sei que eu e Ele temos algo em comum.
E ainda assim, oiço-o respirar. Ofegante, perverso, à espera de um deslize meu ou de outrem. É dono do escuro, e tem sido dono de mim.
Sinto falta de humanidade. Sinto a falta de confiar. Sinto a tua falta, Monstro. Não sei até que ponto és um pesadelo meu, ou um anexo de mim que sempre tentei afastar. Mas ao menos és frágil, como eu.
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