E se eu te disser que as manhãs deixaram de ser uma agradável surpresa? Que o cheiro e o toque do teu cabelo tornaram-se chatos e repetitivos? Que o teu abraçar deixou de ser uma inspiração e, agora, é nada mais, nada menos do que um corpo frio na ausência do sono? Deixaste de ser um complemento no meu vazio e passaste a remendo numa alma rasgada. A ferrugem dos anéis que partilhamos espelha o que já não és para mim. A majestade das cores têm-se vindo a apagar com os fogos que ateamos; a majestade das cores têm-se fundido com o negrume do meu coração. A majestade das cores já não é. Ainda vês beleza neste preto e branco? Achas que há majestade na monotonia do cinzento?
Não há lágrima, nem olhar, nem palavra, nem beijo, nem toque que rasgue o escuro que me completa. E se eu te disser que de tudo passaste a nada? Que cada lágrima pesa mais que o mundo, que o brilho dos teus olhos esfumou-se na dor, que cada palavra cava mais um pouco da minha cova, que cada beijo é seco e cínico e que cada toque tornou-se inexistente nesta cegueira?
Se eu te disser que já não há majestade nas cores do nosso pequeno mundo libertas-me, ou terás medo de voltar a ver?
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