5 de janeiro de 2010

Reflexão Momentânea V

Inalaste-me... e expiraste os meus devaneios dormentes. Sinto o Sol abaixo das nuvens que desenham Janeiro; não há frio. Há chuva que seca a saudade da dor. Cicatrizaste-me, inspirando-me, e expiraste-me, limpo do meu sangue.
Já não me afundo no poço que construí. Já não sou o arquitecto da câmara escura que me rodeava. Há luz que arde nos pensamentos cancerígenas que tinha; há fogo que ilumina a cova que me protegia. Deste-me razões contrárias aos meus cantos, e agora canto de outras formas. Inalaste-me e expiraste o negrume que me cobria.
Já te oiço, Mundo. Oiço-te, porque acho que também já me ouves. Levaste um pedaço da minha alma, um pedaço podre e dormente. Guarda-o bem.

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