Já não sei quem sou. Não sei se enlouqueci, ou se apenas me ceguei para atenuar a dor. Sou um menino, agarrado ao passado, mas perdido nos braços do futuro. Estou à deriva neste noante de memórias e imaginação, que se abraçam num palpitar de emoções. Sinto-me a nadar, desfeito, num limbo, os meus membros à minha procura, e eu à tua.
Já não sei quem sou. Lembro-me de poder definir cores, caracterizar imagens. Lembro-me de sentir. Lembro-me de ti, e de te ver, despida de amor, vestida de orgulho. Lembro-me de te ver partir e lembro-me de me esquecer.
Não sei se enlouqueci, ou se apenas me ceguei para atenuar a dor. Não sei se existi. O que pensava de mim esvoaçou contigo. Estou cego num espaço sem tempo, à procura do coração que levaste. Oiço batimentos, sucintos, lentos; sei que ainda vivo. Os meus pés e as minhas mãos estão presos às tuas artérias. E esta corrente sanguínea afasta-me do que sinto. Aos poucos e poucos, vejo que as minhas lágrimas são nada, na balança do sangue que derramaste por mim. Mereço estar cego, mereço não te ter. Mereço não saber se enlouqueci por alguém que estraguei.
Sou um menino, agarrado ao passado, mas perdido nos braços do futuro. Não me sais da cabeça. Levaste quem sou contigo. Porque sorria, porque deambulava, porque viva intensamente, no limiar do amor e do ódio. Quero-me de volta; traz-me. Ajuda-me a encontrar-te, que não te esqueci.
Sou um menino, agarrado ao passado, mas perdido nos braços do futuro. Não me sais da cabeça. Levaste quem sou contigo. Porque sorria, porque deambulava, porque viva intensamente, no limiar do amor e do ódio. Quero-me de volta; traz-me. Ajuda-me a encontrar-te, que não te esqueci.
Ou… será que sim? Já não sei quem sou. Não sei se enlouqueci.
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